"If the doors of perception were cleansed every thing would appear to man as it is, infinite.”Baseado nesta citação, Aldous Huxley assume que o cérebro humano filtra a realidade de modo a não permitir a passagem de todas as impressões e imagens que existem efectivamente. Se isso acontecesse, o processamento de tal quantidade de informação seria simplesmente insuportável. De acordo com esta visão das coisas, as drogas poderiam reduzir esse processo de filtragem, ou "abrir as portas da percepção", como é dito metaforicamente.
Devido a tematica do livro , o nome The Doors foi adotado pela banda. O grupo era composto por Jim Morrison (voz), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria).
O estilo musical dos The Doors baseia-se essencialmente numa mistura entre blues e o psicadélico. Ray Manzarek fornece elementos de música clássica e blues, Robby Krieger insere ritmos de flamenco, enquanto que Densmore usa os seus conhecimentos de jazz na bateria. As letras, escritas por Morrison, eram de certa forma obscuras. Trazia grandes influências da literatura, principalmente do Romantismo e Simbolismo(exemplo de autores:Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud), com referências ao existencialismo e à psicanálise.
Análise de albúns:

The Doors (1967)
A sonoridade pode ser descrita como um blues urbano e sombrio, misturando influências da música negra e de elementos totalmente novos no mundo da música pop. Sucesso de público (transformou-se logo em disco de ouro) e muito elogiado pela crítica, o álbum se tornou um dos maiores clássicos da história do rock e colocou Jim Morrison e os Doors entre os maiores ícones pop do século. Este é o primeiro disco da carreira dos Doors. Misture filosofia francesa, pitadas de existencialismo, culto à morte, alucinações psicodélicas e o que você tem? Ora, o primeiro disco dos Doors, um dos mais revolucionários e transgressores da história do rock americano.
Strange Days (1967)

No mesmo ano em que haviam invadido os EUA com seu primeiro disco e com o single de grande sucesso Light My Fire, os Doors prepararam seu segundo trabalho, Strange Days. Mesmo não tendo conseguido atingir o mesmo impacto que o disco The Doors causou na mídia, lançou canções de sucesso popular (People Are Strange e Love Me Two Times) e vários clássicos da banda (principalmente When the Music's Over), além de faixas pouco conhecidas, como You're Lost Little Girl e I Cant See Your Face In My Mind, que podem facilmente entrar na lista das melhores do grupo. Apesar de manter o mesmo estilo que havia sido consagrado no disco de estréia, Strange Days tem menos influências de blues que seu antecessor, dando mais ênfase ao lado sombrio das composições, os "dias estranhos" do título e da capa. O trabalho mais artístico dos Doors, sem dúvida. Começando pela capa, em estilo nitidamente europeu, pelo som que se tornou único dentro da história do conjunto e pelo conteúdo das letras, que ficaram mais elaboradas do que nunca.
Waiting For The Sun (1968)

O terceiro disco dos Doors, Waiting for the Sun, é considerado como sendo o trabalho mais comercial da banda. Talvez injustamente: se por um lado contém canções extremamente radiofônicas, por outro possui algumas bem estranhas. O disco é o mais "paz e amor" da banda. Enfim, é um trabalho irregular, com altos e baixos visíveis, o que acaba contando contra no balanço geral da avaliação do conjunto da obra. "Waiting For The Sun" pode ser considerado o menos inspirado LP dos Doors, o mais frágil e o menos destacado do conjunto.
The Soft Parade (1969)

The Soft Parade foi o disco dos Doors que teve a mais longa e cara produção. Foi lançado em julho de 1969 (depois de quase um ano de preparo), mas não foi bem acolhido pela crítica, e também pelo público, que acusou a banda de terem se vendido. Mas a verdade é que esse é realmente um disco bem diferente do que os Doors já haviam lançado anteriormente. Mas logo o single "Touch Me" invadiu as rádios e elevou as vendas dos álbum, que se tornou mais um sucesso.
Morrison Hotel (1970)

Este disco foi saudado pela crítica, considerado um retorno as raízes. O The Doors estava de volta as suas influências iniciais. Apesar de não ter tido nenhum single a estourar nas rádios, em meras três semanas à venda atingiu a categoria de disco de ouro. Foi gravado em uma época muito difícil para o vocalista, Morrison, que estava tendo que se apresentar em audiências judiciais para se justificar do atentado ao pudor cometido por ele em um show em Miami. Jim foi sentenciado a dois anos e meio de prisão, mais uma multa. Porém seu advogado apelou e pagou uma multa de 50 mil dólares e ficou em condicional. Esse fato acabou por deixá-lo extremamente afetado, deprimido.
L.A.Woman (1971)
Como Morrison Hotel já dava sinais, os Doors haviam se transformado mais do que nunca numa banda de blues, e esse último lançamento é basicamente todo dedicado a esse estilo. Curiosidade: Logo no começo dos ensaios Jim percebeu que o som ficava ótimo dentro do banheiro e sugeriu que toda a banda fosse para dentro do sanitário! Com a recusa dos demais membros da banda, o Rei Lagarto não se fez de rogado, gravou todas as faixas sentado em um banquinho ao lado da privada.
Curiosidades sobre a vida do poeta:
Num conturbado show em New Heaven, Jim foi preso em pleno palco por desacato a autoridade. Segundo ele, estava conversando com uma garota nos bastidores quando um policial os surpreendeu e borrifou algo em seus olhos, o que o cegou por alguns momentos. Ao entrar no palco, Jim contou a história e acabou por ofender as autoridades, que o levarem na mesma hora.
Morrison ficou famoso pelas suas "orgiásticas" performances. Num dos shows, Jim abre o ziper da calça e começa a se masturbar, e de repente, ajoelha-se em frente a Krieger e simula sexo oral! A platéia veio abaixo! Destruiram os equipamentos e o palco desmoronou. Em outro abaixa as calças, mostra seu pênis ao público e grita ao microfone: "Vocês querem meu pinto?" Alguns dias depois, Jim recebeu um mandato de prisão. Após esse conturbado episódio, várias apresentações que fariam em concertos foram canceladas.
Pode-se ver no vídeo (cena retirada do filme The Doors com Val Kilmer ) o ocorrido no show que levou a prisão de Jim Morrison.
Em Paris, morreu em 3 de Julho de 1971, na banheira, com a idade de 27 anos. Muitos fãs e biógrafos especularam sobre a causa da morte, se teria sido por overdose,embora Jim não fosse conhecido por consumir heroína, Pam fazia-o (morreu de overdose em 1974)e é sabido que nesse Verão correu por Paris heroína de uma pureza invulgar. Outra hipótese seria um assassinato feito pelas próprias autoridades do governo americano. Morrison referiu-se a si próprio como sendo o nº 3, a morrer misteriosamente, tendo sido os dois primeiros Jimi Hendrix e Janis Joplin. O relatório oficial diz que foi “ataque de coração” a causa da sua morte.


